Vencer a Anoréxia...Superar...Superar...Acreditar...


Não tenho bem a noção de como começou…Sei que sempre tive a autoestima muito baixa, nunca acreditei em mim e no valor que tinha.
Na altura estava a passar por uma situação familiar difícil, estava longe do local em que cresci e para onde queria voltar.
Sentia-me assim desenraizada, sozinha, perdida, e com uma sede de amor, achava que ninguém gostava de mim e que eu  não tinha valor.
Comecei a achar que tinha barriga, que estava gorda e inicie uma dieta restritiva nas férias grandes quando passei do 10º para o 11º ano, perto de fazer 15 anos.
A partir daí foi restringir cada vez mais. Sentia-me culpada de cada vez que comia de mais da dose que eu estipulava para mim, se comia algum alimento proibido.
Quando estava sozinha cozinhava os alimentos como se os fosse comer, colocava no prato e depois destruía-os e deitava fora num lixo quando saí de casa.
Cheguei aos 34 kg com 1.70. Fui internada, um internamento que durou quase 4 meses e que mais pareceu uma prisão.
Melhorei, acabei o 12º ano e consegui entrar na faculdade.  Voltei ao Porto onde queria estar, mas voltei ao mesmo caminho. Ninguém gostava de mim, eu não era capaz de nada, eu estava gorda…
E foram mais três anos assim , em que tive de voltar para Lisboa porque estava com um peso demasiado baixo, em que me diagnosticaram uma anorexia crónica e disseram que dificilmente iria sair.
Mas eu saí! Saí porque percebi que tinha de me amar a mim mesma, que sou única e especial e mereço todo o amor e tudo de bom, e sobretudo que sou a criadora da minha vida. A minha vida é aquilo que eu escolhi para mim. Até aquela altura eu não gostava de mim, do meu corpo, não me amava e não me cuidava. Aos poucos escolhi amar-me e cuidar de mim, escolhi que tinha de comer alimentos saudáveis para ser saudável e sair daquela doença maldita que não me deixava estudar, ter uma vida, estar com os meus amigos, basicamente não me deixava viver. E sim aos poucos os meus pensamentos mudaram, a minha relação comigo mesma e com a comida foi melhorando, e voltei ao meu peso normal.
Segui a minha vida voltar a estudar, encontrei um trabalho que gostava, mas a anorexia deixa sequelas, muitas, físicas e mentais, porque durante muito tempo as células do meu cérebro sofreram com a privação alimentar e isso reflete-se depois no comportamento e na vida.
Era muito instável, não sabia muito bem que rumo na vida tomar  e, não tinha superado plenamente a questão do meu amor próprio. Fiquei numa situação de vida menos boa, perdi o trabalho que tinha e deixei o curos onde estava porque não em identificava com ele. Foi uma fase negra e prolongada em que achei que não prestava, nada conseguia e não merecia o amor.
Fui forte e não voltei a cair na maldita doença porque mesmo no meio de tanta coisa, eu queria viver e queria mudar, eu sabia que  o caminho da doença não era o caminho que eu queria…Eu merecia ser feliz, eu merecia o melhor.
Sim como tinha escolhido mudar a minha vida quando decidi curar-me de uma suposta anorexia crónica, decidi sair da minha crise pessoal, decidi voltar a cuidar de mim e amar-me a mim mesma.
A atividade física ajudou-me a ter equilíbrio mental e a gostar mais do meu corpo, comecei a conhecer-me melhor a perceber o que queria para mim, e a perceber que antes de alguém me amar tenho de ser eu a amar-me a mim. E assim foi, entrei aos 30 anos na Faculdade de Direito, voltei a trabalhar, e comecei a reconstruir a minha vida aos poucos.
Hoje gosto de mim. E mereço o melhor para mim, eu sou amor e mereço o amor. Hoje sei que sou capaz de realizar os meus sonhos. Sinto-me bem, leve, em paz e de bem com a vida.
Ama-te incondicionalmente! Tu és única, especial, e mereces o melhor! Tu és capaz de dar a volta a essas coisas menos boas, às crises pessoais. Muda o teu pensamento e foca-te no que é positivo. A vida chama por ti!




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